Quem é ?

Jorge Henriques nasceu em Abril de 1912, na freguesia da Sé Velha, filho de um padre, cresceu na Lousã, com uma ama, permanecendo aí até aos 12 anos. Foi nessa altura que um notável da vila da Lousã lhe reconheceu as suas capacidades e assim conseguiu que fosse matriculado num colégio em Cernache do Bonjardim, onde concluiu o curso geral dos liceus.

O pai institucionalizado como padrinho, vai protegê-lo até à entrada na Universidade. Entrou em Coimbra para a Faculdade de Ciências, nos Preparatórios de Medicina e, tendo reprovado na disciplina de Anatomia, foi-lhe exigido pelo padrinho que regressasse à terra. Imposição que recusou e foi para Lisboa. Em 1936, foi trabalhar para a Junta dos Produtos Resinosos, Instituto dos Produtos Florestais, profissão que teve durante toda a sua vida. Em 1943 veio prestar serviço para o Porto, permanecendo nesta cidade 38 anos.

Jorge Henriques, fez parte do movimento Salonista, amigo de António Mendes, João da Costa Leite, Pinto de Miranda e tantos outros representantes da fotografia da Associação Fotográfica do Porto (AFP). Manteve em casa um laboratório artesanal, onde produziu as suas imagens. Foi no início dos anos 50 que Jorge Henriques começou a fotografar. Tinha quase quarenta anos e destinou as manhãs de domingos e feriados à fotografia, até ao meio-dia. Tornou-se sócio da Associação Fotográfica do Porto e fez parte da direcção.

Concorreu a vários salões de fotografia amadores, bienais, semanas culturais, exposições temáticas dentro e fora do país. Recebeu vários prémios e menções honrosas.

Casou, teve duas filhas, Stela e Márcia. A perda da sua esposa em 1971 levou a que Jorge Henriques lentamente se fosse desligando do gosto por fotografar. Regressou a Lisboa dez anos depois, em 1981, já reformado. Morreu em Outubro de 1988.


QUEM SOU ?

Em 1971, fui pela primeira vez a Portugal. Foi também a primeira vez que conheci o meu avô; tinha sete anos e lembro-me perfeitamente da casa dos meus avós, na Rua da Lapa, no Porto. Era aí que o meu avô tinha improvisado um pequeno laboratório, onde, fascinado, eu o via imprimir as fotografias que tinha feito durante os seus longos passeios pelos bairros populares da cidade, sobretudo no bairro da Ribeira, nas margens do rio Douro. Deambulando pelas ruas, mergulhava na vida que o rodeava, observava-a, e quando a luz se deixava capturar, congelava-a, devolvendo à cidade a sua tão especial fotogenia. O Porto é para mim uma cidade recatada, cujo encanto só se revela após um longo mergulho. Cinzenta e húmida, é o oposto de Lisboa, exótica e colorida, que se oferece de imediato ao visitante. Alguns anos depois da morte do meu avô em 1988, quis redescobrir e partilhar com outros a magia que sinto quando regresso ao Porto.

Mais de meio século nos separa dessas cenas da vida quotidiana e se bem que representem um testemunho de uma época já distante, ainda parecem actuais. Às vezes pergunto a mim próprio o que aconteceu a essas pessoas fotografadas, estou certo que elas hão-de descobrir nas fotografias a discrição, a modéstia e a generosidade que caracterizavam Jorge Henriques.

Eric Breia


PORQUÊ ESTE SITE ?

No inicio dos anos 2000, a minha tia e eu marcamos encontro com a directora do Centro Português de Fotografia, Drª Tereza Siza Vieira para organizar a exposição e a publicação do livro-catalogo « Domingos de Manhã ». Ao aceitar a exposição e a publicação do livro ela reconheceu a qualidade e a importância deste valioso património fotográfico! Deixo aqui o meu agradecimento por ter permitido que esta obra existisse fora do âmbito familiar.
A seguir a esta exposição o cantor Pedro Abrunhosa pediu para algumas destas fotos ilustrarem o seu álbum « Momento » (2002).
Hoje quero prestar uma ultima homenagem ao Jorge Henriques criando este site na Internet para todos os que não puderam ver a exposição para os que não puderam comprar o livro, infelizmente esgotado, e para os que dentro do seu blog queiram falar deste assunto enfim para os que não o conhecem ainda!
Como o trabalho de retoque e organização é moroso e delicado vou colocando aqui as fotos à medida que estejam prontas para tal pelo que sugiro que o site seja visitado de vez em quando para descobrir novas fotos.

Junho 2013


Um agradecimento especial à Drª Tereza Siza Vieira e ao Centro Português de Fotografia para o seu envolvimento, Márcia Breia, minha tia, que sempre confiou em mim, Stela Breia.

Jean-Luc Laurent pela sua ajuda desde o início, Edouard Paillet para a lindíssima impressão das fotografias da expo e do livro « Domingo de Manhã », Catherine Bellein que me ajudou na selecção das fotografias e Jean-Michel Delage que foi o primeiro a acreditar neste projecto.